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ALMA CAMPESINA EM CORAÇÃO DE TROPEIRO - Francisco Afonso Ribeiro

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ALMA CAMPESINA EM CORAÇÃO DE TROPEIRO - Francisco Afonso Ribeiro

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Descrição Rápida

Desde a República Guarani, calcada em cultura jesuíta.

Passando por contos contados, tal qual cantiga bonita.

Vou colher da essência campeira, a história que não foi escrita

Instigar o imaginário de poeta, encantando coxilhas, ainda.

Como chuva no estio caída, regando a Natureza linda.

Pra formar o grande rio, de sabedoria infinda.

Cantada e contada de fato, como disse o lince desperto.

Que ouviu o Sófi Gato, afirmando ter por certo.

Que o firmamento das estrelas, tem por teto o Superteto.

 

Alma campesina em coração de tropeiro - São Paulo/SP Ed. Ixtlan, 2019

Registro: EDA/FBN, Ministério da Cultura N°563.012 L.1.074 F.69.

ISBN: 978-85-8197-816-1 - 1.Literatura brasileira  2.Título - B869



A escrita de um prefácio sempre é um desafio, pois qual é a sua função? Realizar um breve resumo da obra prefaciada, realizar uma análise do seu conteúdo, de sua forma e de seus conceitos? Creio que não haja uma fórmula precisa para tal empresa. Assim, me proponho nessa breve nota a me dirigir ao leitor, não fazendo um resumo preparativo dessa obra, mas sim discutindo o material que a constitui, que a meu ver é a memória.

Ao intitular seu livro de Alma Campesina em Coração Tropeiro, o autor Francisco Afonso Ribeiro ou “Seu Francisco”, como o conheço, deixa muito claro ao que se propõe em seu livro. E aqui inicia meu aviso ao leitor; não estamos falando de uma obra de História, em maiúsculo para indicar sua vinculação à disciplina acadêmica, mas temos aqui uma obra de história ou até mesmo de estória, que se refere ao domínio dos textos populares, das narrativas tradicionais e dos contos passados de geração em geração; essa constatação está longe de ser um demérito, mas sim um aviso para que não se procure nesse livro algo que ele não é, e sim se aproveite aquilo a que ele se propõe, que é contar uma história.

No domínio da história e não da História, temos a memória e é com ela que vemos a construção da narrativa que compõe esse livro, que diferente de um conto que muitas vezes possui um caráter atemporal e de uma geografia imprecisa, aqui temos um tempo determinado pela infância de seu autor e com ela uma localização especificada.

Ao usar os substantivos Alma e coração e os adjetivos campesino e tropeiro, em seu título, temos de antemão a concepção que irá compor essa narrativa memorialística, que é a vivência de seu autor no tempo e nos lugares citados, que sua narrativa é composta pela memória de acontecimentos e lugares vividos pelo autor, algo que de momento me relembra as narrativas criadas pelos viajantes estrangeiros que visitaram nossas terras entre os séculos XVI e XIX, narrativas que além de descrever traziam as impressões de seus autores, sobre os lugares, costumes e hábitos dos locais visitados.

Embora deva ressaltar que minha comparação é imprecisa em dois aspectos, primeiro não estamos falando de um estrangeiro, mas de alguém que tem sua alma e coração ligados aos locais e aos hábitos narrados e em segundo lugar a distância temporal desse relato; as narrativas dos viajantes eram escritas muitas vezes no próprio percurso da viagem; aqui nós temos a distância dos anos, que leva esse livro a um interessante exercício que está ligada a disciplina da História, que ao adentrar no domínio da memória busca compreender como essa se forma, quais são as ênfases e os esquecimentos à que ela está sujeita. É certo que a memória não é o acontecimento em si, mas ela tem seus filtros, suas camadas, e porque não dizer; seus caprichos que estão ligados ao presente daquele que as narra.

Então, o livro que aqui o leitor irá apreciar tratase de um relato contado por uma alma e um coração que em essência é campesino e tropeiro, mas também é muito mais, pois carrega, como os relatos dos viajantes citados acima, a visão de mundo, as representações, as impressões e as vivencias de seu autor que se sedimentaram, como as camadas de terra sobre uma camada mais antiga da vida de seu autor.

Nessa leitura, caro leitor, atente as belas descrições dos acontecimentos, que se constroem como as pinceladas de um pintor que se justapõe para criar uma imagem, que possivelmente não seja “a verdade” e o acontecimento “real”, mas as impressões de seu autor sobre aquela vivência de tempos longínquos.

A historiadora Maria Ester de Siqueira Rosin Sartori, ao discutir a operação de livros de memória[1], classificação que penso ser muito adequada para se pensar esse livro, levanta a dupla função do autor dessas obras, na qual, ele é ao mesmo tempo personagem e narrador da história; para a autora a busca do autor de uma obra dessa natureza é:

 

 Se conhecer e ser reconhecido pela escrita, como em um jogo de espelhos, de seu personagem no mesmo novelo  da lembrança, como um fenômeno individual e  íntimo, mas que não tem seus nós atados apenas no que é próprio ou pessoal, e sim nas tramas de fenômenos.

  

Nesse sentido, nesse duplo jogo de personagem e narrador, o autor de um livro de memória traz, além de suas marcas pessoais, para seu relato, as marcas e as memórias de um coletivo detentor daquela memória; assim, esse livro é composto por almas e corações que lhe emprestam sua vivência para compor essa história.

Por fim, terminando minha observação aos futuros leitores desse livro, indico duas possibilidades para que desfrutem de suas páginas. Primeiro, desfrutem de sua narrativa como nos deleitamos das histórias contadas, por pessoas queridas que possuem uma maior experiência e vivência, em um sentido muito afetivo como as histórias de avós e avôs sobre tempos idos, com um doce sabor de nostalgia. Outra chave de leitura é dedicada aos leitores que tenham familiaridade com a historiografia e as discussões sobre a relação entre história e memória; leiam essa obra como uma fonte, como um registro, que traz consigo, as representações, as formas de ver o mundo, a individualidade de seu autor e a memória por ele (re)construída nessas páginas. Creio que ambas as formas trarão aos seus leitores aprazíveis momentos que em muito aquecerá e enriquecerá suas almas e seus corações.

 

  Rossano Silva            

 Doutor em Educação.

 Linha de História e Historiografia da Educação, pela UFPR.

 



[1] Flutuações. (SARTORI, M.E de S.R.2018, SP.)

 

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